tem dias que você tem cara de tonto, e tem dias que você tem cara de nada. tem vezes que você solta uma risada, sem querer rir. e as vezes solta essa mesma risada, rindo de fato. tem dias que seu beijo é estranho e tem dias que eu te beijo estranho também. talvez seja por isso, que eu não me sinto segura o suficiente para saber onde esta você, e/ou, onde eu estou em você.
mas tem horas que mesmo que poucas, você me convence que esta tudo indo de maneira, daquelas maneiras, que faz a gente querer se ver mais de uma vez. e como sempre temos mais vintequatrohoras, da tempo de sentir tudo por você. até saudade da sua cara de tonto, cara de nada. até da gente junto, que é de um lance até bem equilibrado. e eu que achava que nunca iria ter essa palavra perto de mim...vai vendo:
é o jeito como você muda o jogo e quebra as regras, são os traços da evolução. eu não gosto de tomar hormonios e chorar vendo o sofrimento dos ursos polares nas geleiras derretidas pelo aquecimento global nosso de cada dia, mas aconteceu.
é o jeito como você respira, do jeito que eu te olho. do jeito que eu me sinto quando você fala alguma besteira, daquelas de criança. e o jeito que eu me surpreendo quando você fala algo relevante demais sobre qualquer assunto que eu verborrágica não paro de falar. depois, são todos os nossos jeitos; aqui e ali, e rindo e ai,ai,ai.
todo um jeito que esta ficando nosso.
não me iludo, mas se sêsse, ô se sêsse; ia ser futuro.
Friday, November 06, 2009
Sunday, November 01, 2009
Sobre nós

É esse estranho jeito que levamos a vida, que tem nos matados. E morrer por aqui, é apenas virar estatísticas que vão florear jornais que amanhã já estarão velhos. Morrer então, não é nada. Mas é esse estranho jeito de viver, de rir, de interagir, de observar, que esta nos matando. É esse estranho jeito como a modernidade avança, sem que nossa mente consiga acompanhar. E a gente se pega rindo de coisas pequenas, de coisas imbecis. E eu fico pensando que foi se o tempo que rir, era coisa de gente inteligente. Hoje se ri por qualquer coisa. Rimos de um esquizofrênico que fala; Ronaldo. Rimos de “humoristas” que vão ao planalto central expor “toda indignação do país“, com nossos políticos de hoje. Rimos das respostas rápidas de Paulo Maluf. Rimos de um pseudo artista de televisão ao ter um surto de raiva em um reality show. É, rir ficou fácil, esculachar também.
Esculachamos e até humilhamos mulheres como Carla Perez, por que só burros riem da ignorância. Rimos quando “humoristas’ vão as praias expor mulheres fora do padrão de beleza, para que elas sejam a musa da beleza interior. Porque gente “feia’ é mesmo de gargalhar. E mulheres bonitas é para se jogar pedra. É claro que isso não vem de hoje, se não, Chico Buarque não iria ter escrito a historia da Geni, lembram? “Joga pedra na Geni, ela é feita pra apanhar, ela é boa de cuspir, maldita Geni!”. Mas no fim da música, quem salva a humanidade, é a própria Geni.
Foi a primeira associação que veio a minha cabeça, quando soube do que tinha acontecido na faculdade particular UNIBAN, na última quinta-feira. Cerca de setecentos alunos, homens e mulheres hostilizaram uma aluna, por usar um vestido curto. A mobilização foi tamanha, que ela precisou ir embora escoltada por PM’s. A modernidade foi usada para que alguns alunos filmassem tudo o que aconteceu e colocassem no YouTube, talvez para mais algumas risadas, ou talvez para que questionemos esse nosso estranho modo de viver.
Antes de qualquer coisa, parto da seguinte opinião; nada, ABSOLUTAMENTE NADA, justifica tal acontecimento dentro daquela universidade. Vi uma reportagem em que alunos e professores tentavam amenizar a culpa dos universitários pelo motim dizendo que ela “pediu” para chamar a atenção. Por isso, não pode reclamar do que houve. Engraçado que não eram só homens hostilizando a aluna da UNIBAN, mulheres enfurecidas também a xingavam de puta, recatadas dentro de suas roupas largas e longas, sofridas, machistas, invejosas talvez. E muitos dos homens, excitados, pediam aos berros; ESTUPRA!
Hoje somos qualquer coisa; trabalhamos por qualquer salário, matamos por qualquer desacate, rimos de qualquer merda, fazemos sexo com qualquer pessoa, nos expomos sem qualquer cerimônia, enfim, estamos para qualquer jogo. Foi quando mesmo, que a vida perdeu a graça? Foi no mesmo dia que o machismo ganhou formas e caras novas, foi quando o moralismo fascista criou raízes, sem que eu possa ascender um cigarro de baixo do toldo de meu buteco preferido. Foi no exato momento em que paramos de nos levar a sério, paramos de acreditar no mundo em que vivemos, na política, no preço das coisas, na rapidez das relações onde não temos mais tempo de perguntar, como estamos. E ai, como estamos?
Estamos todos doentes.
Sunday, October 25, 2009
zumbido
Um homem devoraria um frango, aos grunhidinhos e mãos gordurentas se entrelaçando entre a delícia de se gulosar e o poder da fome no meio de um bar, desses que surgem mesmo que sempre ali, no fundo da noite, beirando a fantasmas que encontramos sempre que sim.
Isso é amor.
Chupando os ossinhos de um galeto, entrelaçando felicidade e a mesmice que é se orientar pelo cotidiano.
Isso é amor.
Pratos sujos mãos também.
Uma mulher com seu vestido lilás muitas outras coisas que se abririam ao olhar no fundo dos olhos de quem vê.
E o fundo era um lago cheio de infinitudes e buracos de tristeza e momentos completos de alegria, como a gente hoje à noite, mergulhando no mar, ficando muitos minutos, cada um com seu pensamento.
Como eu que fui a última a sair e vi muitas estrelas e até uma cadente, que o desejo foi pela minha mãe.
Mesmo sabendo que no fundo a saúde dela depende de mim.
Quando eu virar gente, ela se cura.
Quando eu virar gente, parte do mundo andará.
E eu
não terei mais meus sérios problemas doentes mentais, de quem dá valor a coisas que jamais mudariam um piscar de meus olhos.
(Isso tudo é mentira, Carlos, mudaria sim.
Claro que mudaria.
Então seja bem-vindo ao meu mundo de colapsos.
D'eu procurando a solução daquele meu primeiro caso que fudeu todas minhas serotoninas viciadas em problemas.)
Eu não amo o indivíduo, eu descobri que não amo o indivíduo, eu amo a causa. Estou lampejando.
Isso é amor.
Chupando os ossinhos de um galeto, entrelaçando felicidade e a mesmice que é se orientar pelo cotidiano.
Isso é amor.
Pratos sujos mãos também.
Uma mulher com seu vestido lilás muitas outras coisas que se abririam ao olhar no fundo dos olhos de quem vê.
E o fundo era um lago cheio de infinitudes e buracos de tristeza e momentos completos de alegria, como a gente hoje à noite, mergulhando no mar, ficando muitos minutos, cada um com seu pensamento.
Como eu que fui a última a sair e vi muitas estrelas e até uma cadente, que o desejo foi pela minha mãe.
Mesmo sabendo que no fundo a saúde dela depende de mim.
Quando eu virar gente, ela se cura.
Quando eu virar gente, parte do mundo andará.
E eu
não terei mais meus sérios problemas doentes mentais, de quem dá valor a coisas que jamais mudariam um piscar de meus olhos.
(Isso tudo é mentira, Carlos, mudaria sim.
Claro que mudaria.
Então seja bem-vindo ao meu mundo de colapsos.
D'eu procurando a solução daquele meu primeiro caso que fudeu todas minhas serotoninas viciadas em problemas.)
Eu não amo o indivíduo, eu descobri que não amo o indivíduo, eu amo a causa. Estou lampejando.
Thursday, October 22, 2009
-Primeiro inteiro pensamento, logo após-
Permita-me
Permita-me ousar algumas palavras a você.
Permita-me não ser mais sua.
Permita-me nosso fim.
Permita que eu siga só, te odiando.
Permita-me poupar danos maiores.
Permita nossa amizade.
Permita um ódio se possível for.
Permita-me rever ascesa, confusa, intensa.
Permita-me falar. Sobre todas as coisas.
Permita minha confusão mental, minhas mentiras sobre a liberdade.
Permita-me separarmos.
Permita ser quem sou. Só mente e nua.
Permita-me correr outros riscos, provar outras doses.
Permita-me escolher o amor que quero viver.
Permita-me cuidados, anseios, flagelos.
Permita-me coragem.
Permita-me prender, me soltar, eu mesma, sem você.
Permita-me não mais lhe falar, te seguir,
me causar.
Permita-me rumos, não os fecho, não os abra.
Permita-se ter.
Permita-me dizer não a você.
Ser teu caso, tua cama.
Permita-me tropeçar e cair e rodar,
sem lhe ter.
Permita-me me usar.
Permita-me.
Apenas permita-se a me deixar em paz.
Que eu não lhe permito-me mais.
-Segundo metade(a terminar) pensamento em seguida-
(descanse pequeno, sobre essa sombra que lhe embala.
desvie meu anjo, todas as mazelas trocadas.
recuse a próxima falha de seu desejo.
faça meu pequeno, as doses diárias da vida.
recorra-me entre suas lágrimas e descançe.
durma sobre o campo do fim da tarde e respire toda a alma que lhe rodeia.
gire meu pequeno, que o mundo esta a favor do vento.
a vida é para quem veio.
como num sopro dos jázidos velhos,
estamos a reciclar.)
-Terceiro e último pensamento, dividido em dois-
Parte 1:
era imprudente pensar sobre o dia que viria. tão pouco começar a ser feliz horas antes do destino traçar os cantos.
todas as forma de amor estariam livres antes do acontecimento. depois, se acumularam. e não pôde mais a mulher se desvencilhar
do que ocorria com seus movimentos presos. a cada gesto, uma dança do dito e feito. morreria em troca de todas as eternidades, para ter
aquilo que nem sabia o que era. falaram baixinho, que ela tinha é que acreditar em toda sua intensidade, igual quando ela ia ao cinema sozinha e
milhões de coisas passavam-se pela sua cabeça turbinática. ela queria comer algo que não sabia nem o gosto.
Parte 2:
correu livre de impedimentos, o juíz anunciaria o gol válido. marcava uma vitória, mas na outra quarta-feira, empatava o jogo.
a vida era um campeonato com mais de onze em campo. e ela seguia sem torcida organizada. quem a acompanharia nas semis-finais?
e se os pontos corridos estivessem a lhe prejudicar? não queria o rebaixamento e certos lances acharia que sairia injustiçada.
por muitas vezes, jogou a partida sem condições físicas alguma e mesmo assim, não lamentava. quando perdia, trocava de técnico.
e ora era o comentário geral de todos por ali. muitos lhe davam táticas diferenciadas de seu jeito de atuar em campo. tentando em vão seguir
outra linha, se perdia na partida. mudou de clube, mudou de cidade e respirou novos ares. o jogo nunca tinha endereço. e ela esperava o dia do clássico
chegar, tipo olho no lance. os lances meus caros, eram todos. de todos os dias. até ela entender que nem um jogo, é mesmo um jogo. e que as regras
são só limites impostos por alguém que algum dia, não se permitiu ir além. ninguém entenderia seus manejos e logo lhe diziam que a verborrágia iria
lhe afundar. aos quarenta e cinco do segundo tempo, era já segunda feira e fazia sol. ela acordou com um som esquisito vindo do rádio e desligou o aparelho
para pensar. o tempo acabou, o jogo estava perdido. muitos esquemas e regras das quais ela nunca ousou a entender. porque tinha medo e preguiça
e achava mais fácil jogar aberto.ela tomou um banho, pediu a toalha e foi embora. a verdade é que o campeonato, nunca iria ter fim.
Permita-me
Permita-me ousar algumas palavras a você.
Permita-me não ser mais sua.
Permita-me nosso fim.
Permita que eu siga só, te odiando.
Permita-me poupar danos maiores.
Permita nossa amizade.
Permita um ódio se possível for.
Permita-me rever ascesa, confusa, intensa.
Permita-me falar. Sobre todas as coisas.
Permita minha confusão mental, minhas mentiras sobre a liberdade.
Permita-me separarmos.
Permita ser quem sou. Só mente e nua.
Permita-me correr outros riscos, provar outras doses.
Permita-me escolher o amor que quero viver.
Permita-me cuidados, anseios, flagelos.
Permita-me coragem.
Permita-me prender, me soltar, eu mesma, sem você.
Permita-me não mais lhe falar, te seguir,
me causar.
Permita-me rumos, não os fecho, não os abra.
Permita-se ter.
Permita-me dizer não a você.
Ser teu caso, tua cama.
Permita-me tropeçar e cair e rodar,
sem lhe ter.
Permita-me me usar.
Permita-me.
Apenas permita-se a me deixar em paz.
Que eu não lhe permito-me mais.
-Segundo metade(a terminar) pensamento em seguida-
(descanse pequeno, sobre essa sombra que lhe embala.
desvie meu anjo, todas as mazelas trocadas.
recuse a próxima falha de seu desejo.
faça meu pequeno, as doses diárias da vida.
recorra-me entre suas lágrimas e descançe.
durma sobre o campo do fim da tarde e respire toda a alma que lhe rodeia.
gire meu pequeno, que o mundo esta a favor do vento.
a vida é para quem veio.
como num sopro dos jázidos velhos,
estamos a reciclar.)
-Terceiro e último pensamento, dividido em dois-
Parte 1:
era imprudente pensar sobre o dia que viria. tão pouco começar a ser feliz horas antes do destino traçar os cantos.
todas as forma de amor estariam livres antes do acontecimento. depois, se acumularam. e não pôde mais a mulher se desvencilhar
do que ocorria com seus movimentos presos. a cada gesto, uma dança do dito e feito. morreria em troca de todas as eternidades, para ter
aquilo que nem sabia o que era. falaram baixinho, que ela tinha é que acreditar em toda sua intensidade, igual quando ela ia ao cinema sozinha e
milhões de coisas passavam-se pela sua cabeça turbinática. ela queria comer algo que não sabia nem o gosto.
Parte 2:
correu livre de impedimentos, o juíz anunciaria o gol válido. marcava uma vitória, mas na outra quarta-feira, empatava o jogo.
a vida era um campeonato com mais de onze em campo. e ela seguia sem torcida organizada. quem a acompanharia nas semis-finais?
e se os pontos corridos estivessem a lhe prejudicar? não queria o rebaixamento e certos lances acharia que sairia injustiçada.
por muitas vezes, jogou a partida sem condições físicas alguma e mesmo assim, não lamentava. quando perdia, trocava de técnico.
e ora era o comentário geral de todos por ali. muitos lhe davam táticas diferenciadas de seu jeito de atuar em campo. tentando em vão seguir
outra linha, se perdia na partida. mudou de clube, mudou de cidade e respirou novos ares. o jogo nunca tinha endereço. e ela esperava o dia do clássico
chegar, tipo olho no lance. os lances meus caros, eram todos. de todos os dias. até ela entender que nem um jogo, é mesmo um jogo. e que as regras
são só limites impostos por alguém que algum dia, não se permitiu ir além. ninguém entenderia seus manejos e logo lhe diziam que a verborrágia iria
lhe afundar. aos quarenta e cinco do segundo tempo, era já segunda feira e fazia sol. ela acordou com um som esquisito vindo do rádio e desligou o aparelho
para pensar. o tempo acabou, o jogo estava perdido. muitos esquemas e regras das quais ela nunca ousou a entender. porque tinha medo e preguiça
e achava mais fácil jogar aberto.ela tomou um banho, pediu a toalha e foi embora. a verdade é que o campeonato, nunca iria ter fim.
Thursday, October 15, 2009
PQP
Por que me descobriste no abandono
Com que tortura me arrancaste um beijo
Por que me incendiaste de desejo
Quando eu estava bem, morta de sono
Com que mentira abriste meu segredo
De que romance antigo me roubaste
Com que raio de luz me iluminaste
Quando eu estava bem, morta de medo
Por que não me deixaste adormecida
E me indicaste o mar, com que navio
E me deixaste só, com que saída
Por que desceste ao meu porão sombrio
Com que direito me ensinaste a vida
Quando eu estava bem, morta de frio
Chico Foda de Holanda
Com que tortura me arrancaste um beijo
Por que me incendiaste de desejo
Quando eu estava bem, morta de sono
Com que mentira abriste meu segredo
De que romance antigo me roubaste
Com que raio de luz me iluminaste
Quando eu estava bem, morta de medo
Por que não me deixaste adormecida
E me indicaste o mar, com que navio
E me deixaste só, com que saída
Por que desceste ao meu porão sombrio
Com que direito me ensinaste a vida
Quando eu estava bem, morta de frio
Chico Foda de Holanda
Sunday, October 11, 2009

Casca de ovo, sanduíche de presunto, amor a qualquer custo, horas no ponto de ônibus, são minutos, enfim. Bolo de chocolate, futebol na tv, óculos escuros, lentes e oxigênio. Traições e falsidades, aspectos involuntários, vídeos caseiros, fórmulas exageradas. Mulheres chorando, banheiro de homem, samba-canção. Macarrão caseiro, rocambole de doce de leite, eu te vendo de longe. Eu sofrendo em vão. Corridinhas matinais, cachorro de rabinho cortado, uma mulher maluca em crise vira uma mulher normal. Uma coisa que abre, na outra coisa que cabe, é assim, meu coração. Nós nos usavámos. Eu só sabia de você. O sopro da gaita do homem que assoviou minha alma. Nós nos usávamos. O amigo do homem me chamando para sair. Nós nos usávamos. Um olhar logo ali, querendo me usar. Se eu não mais te usar, você vai pensar que eu te desprezo. O outro amigo e mais alguns olhares. Nós nos usávamos. Eu não sabia. Casca de pão, bolor no feijão, prato e garfo sujos e nós nos lençóis, nos usando. Canto dos passáros e táxis fora de frota, nós nos usando em pleno calor. Ele morava longe e me levava para usar na sua casa. Eu acordava de manhã usada. Ressaca moral de nos usar. Eu quero aprender a te usar. Um homem que ainda não perdeu a inocência e ainda não sabe que quer me usar é mais comovente. Um homem romântico que, além de tudo, quer me usar é mais comovente. Troca de casais, flores murchas, batata doce e nós morrendo de frio, nos usando. Rádio ligado, domingo à tarde, superbacana. Nós nos usamos até gastar. E agora eu não quero mais te usar.
Friday, October 09, 2009
Gamboa

Parecia que eu estava em silêncio. E neste dia fiz de tudo para não perder meus planos. Sempre faço às avessas. Cortei um pedaço que sobrava de mim e com mais um pouco esfolei os sentidos de quem me amparava. Fui ao teu encontro sem saber que era esse meu plano. Ainda não tinha esquecido de todas as cicatrizes que, espalhadas pelo meu corpo, mantinham o aviso. Nunca vou me cuidar. Não existe não estar preparada, a vontade já vem preparada. Foi o que eu te disse ontem. Você acreditou, ou não entendeu? Passei por fases brandas, estava na roda-gigante. Rodando pelos meus altos e baixos. Preocupo pessoas, preocupo família e amigos. Minha felicidade é que me desconcentra. Ontem você pediu para olhar pra cima e fechar os olhos, depois abrir e continuar olhando. Pude sentir seus começos. É meu começo também. Sinto-me um marujo, véio de guerra. Sinto-me sacerdote, sabedor. Sei que sinto, e que vejo as verdades porque sei onde moram nossas mentiras.
Relatei um vôo de passáros em V em plena avenida. Não poderia mais suportar tanta liberdade em mim, alguém teria que me podar. Me cadear. Segui seca, em busca de líquidos, cheia de fortes. Os fortes eram por hora suicidas e, de vez em quando, quando eu me jogava, era bom. Tentei ser em V, tentei ser todos os pássaros e fui me curvando para ser igual. Sem penas e sem meu pai.
Todo dia o espelho reflete a mesma informação ameaçadora. Sou o meu fim já escrito em glórias e tragédias. Rodo e me cheiro e me procuro para ver se alguma parte do meu corpo nunca foi vista por mim. Me espio, sendo bicho, me fuço, tento me achar. O espelho, cheio de respostas, se cala refletindo. Eu sou o que jamais vou mostrar ser.
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